4 de janeiro de 2012

Transformas tua palavra doce em cólera quando não entendes que minha loucura tem volta. Há uma névoa de temor, e ela conjuga o quarto verbo. Lapidar o raro, assim como a si mesmo é a arte de uma alquimia antiga. Abri as janelas para o leste mas minhas asas ainda dormiam. A beira de um lago noturno, a morte que buscava me sorriu, e foram gotas do orvalho da vida que vi no momento seguinte. Bebi o dia, a noite e a palavra. E meu sangue percorreu os rios de quatro estações, onde te encontrei. Abri os olhos e não pude ver, pois tudo era silêncio, agora. Sei que tudo será desfeito um dia, quando no peito não mais doerem as feridas e os espinhos da alma. É preciso ser um pássaro de luz, e nadar nos ventos que vão acima do amargo que bate a porta.

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