18 de janeiro de 2012

A palavra não (mal)dita

Se algum céu é capaz de abrigar o ninho da verdade, este azul só poderá voar junto ao verbo que ressoa a três. Algum elemento trará o não dito – em nome do amor que não suporta a nudez das palavras, por isso veste-se de flores e orvalho da manhã, buscando algo próximo ao infinito das noites. São muitos os olhares fragmentando aquilo que só poderia ser visto a dois. Ao contrário do que ressoa do alto, o que é doce abriu as portas.

6 de janeiro de 2012

Cala

Nudez da palavra.
Perdida
Esquecida
[não] [mal]
dita.
Tua boca cala o verbo
Faz
Sentido(s)

4 de janeiro de 2012

Graça

Ouço o ressoar do que vem chegando. É música. Já posso sorrir em canto, criança. Sou alegre pela escolha. Junto tem a magia, santa força que me lança para além de mim. O sangue pulsa nessa direção. Nada mais acrescento a esse caminho. Realizam-se gerações em graça. 

Deus

Sem lamentos. O que bate a porta é suave. Mosaico de rostos Maria, José, Franciscos e Antonios. Crú, mas que ilumina. Festeja toda carga flor que sei que caminho é todo meu.  Deixa navio atracar, pessoas de rostos tristes por fora falarem com meu eu milagre, por que também é delas a flor. Preciso das especiarias do que trazem, Ariade me envia, preciso estender as mãos. Do contrário labirinto é frio, não me acorda e é lamento. É nesse povo, com ou sem cachimbo que me faço espírito olhos cerrados. Grande Cristo ali bem à frente que me guia. Desenho em punho teu rosto, memória Deus em mim, neste templo. Terra. Gritei um poema que nem era meu, reviso e se levantam tantos santos em coro de igreja antiga, cantiga negra de noite, de força, nua, de orvalho das lágrimas da música que é esse Deus que nem sei todo mas que parte senti tanto hoje. Estendi os braços. Rodopio com o invisível e sorrio largo no meio da rua. É pra ti que me lê esse verso. Toda letra que compõe teu nome luz. Nem consoante ou vogal. Tinha primavera ali esperando. É um canto puro.

Transformas tua palavra doce em cólera quando não entendes que minha loucura tem volta. Há uma névoa de temor, e ela conjuga o quarto verbo. Lapidar o raro, assim como a si mesmo é a arte de uma alquimia antiga. Abri as janelas para o leste mas minhas asas ainda dormiam. A beira de um lago noturno, a morte que buscava me sorriu, e foram gotas do orvalho da vida que vi no momento seguinte. Bebi o dia, a noite e a palavra. E meu sangue percorreu os rios de quatro estações, onde te encontrei. Abri os olhos e não pude ver, pois tudo era silêncio, agora. Sei que tudo será desfeito um dia, quando no peito não mais doerem as feridas e os espinhos da alma. É preciso ser um pássaro de luz, e nadar nos ventos que vão acima do amargo que bate a porta.

3 de janeiro de 2012

Lancei um poema ao vento em direção a uma pessoa inteira.
Buscava aquela que não silencia o grito.
Não aquela que vem em metade, por que se deixou em outras estações.
Alguém disse que o poeta é um fingidor,
Mas minha palavra não é muda, tampouco meu grito.
E pelo amor ao que é inteiro em mim
Não minto riquezas
E não transformo tropeços alheios
Em minha caminhada.

2 de janeiro de 2012

em parte é a memória da pele. mas em muitos é seu manto. há de se encobrir também com palavras, das quais devaneiam a mente. também são breves alguns caminhos. haverá o despudor, mas também o medo de perder a alma.