4 de junho de 2012

normalidades

Segunda,
15:21 horas
cai água do céu
nada a fazer
a não ser
cutucar onça
com vara curta...

30 de maio de 2012


Ele está no palco
Chega cedo porque gosta dos princípios
Os futuros aplausos
As mãos geradoras da vida
De um morto
Por ele mesmo

O novo de sempre que se apresenta sempre como uma então possibilidade. Pergunto-me o que realmente é novo na roda da vida que circulo, circulo, circulo e nem sei bem se meu olhar deve direcionar-se, para o que me segue as costas ou para onde meus olhos alcançam quando ergo a cabeça pesada do pensamento – a função dominante. É interessante imaginar essa roda como uma ciranda e parecer feliz, a felicidade agrada. As pessoas incríveis e seus sorrisos. Interesses generalizados. Não estou ali. Tampouco em casa. Eu prefiro as madrugadas e aquele silêncio distante. Só ali existo. Começei a escrever uma história sobre Elêusis porque algo lá me pareceu perfumado. Parece que me ouço melhor nessas histórias que não foram escritas para mim. Gosto do que me diz as madrugadas, até mesmo essas dos tempos antigos. Elas sim são sinceras. Também lembro sempre de não questionar a perfeição. Eu não posso mudar o que é realmente meu. O resto, é ilusão. É roteiro de folhetim. 

23 de maio de 2012

Soturna

Era desses tipos excêntricos que são apenas nas noites. Apenas. Certa vez, depois da exaustão da existência soturna, resolveu entregar-se a ela, ainda enquanto. Após a ausência no dia,  chegou  em casa, espalhou suas coisas, como de costume, procurou em vão por comida saudável, abraçou seu cachorro, não abriu a correspondência, deletou mensagens telefônicas sem ouví-las, desprendeu-se do dia,  apagou memórias, deixou de sentir seu coração apertado, não viu a lágrima, nem sentiu seu gosto amargo, leu as poesias que lhe mandavam (todas), olhou-se no espelho, pensou num banho, aqueceu-se por dentro, sentiu a pele, pois era assim que gostava. Entregou-se ao leito enquanto a noite ainda cedo. Em sua cama havia um anjo antigo, que sonhava. Viu seu sonho. Permitiu-se. E nunca mais acordou.

14 de maio de 2012

F(r)ases


Amor é a leveza que a alma sente. 
Compreende o amor também o perdão e a extensão à outras pessoas. 
O amor desfaz a falsa noção do eu, numa tristeza solitária mas não daquilo que se é, mas pela propriedade de não pertencimento. 
Comovente é a expressão de todo amor.- em qualquer tempo. 

2 de março de 2012

socorro a muitos poréns evitando o não.
(quero-posso-suporto-devo)
porém há dúvida.
e de dúvida em dúvida
porém em porém
mais um suspiro de vida.
é tudo apenas hoje.
Pássaro da morte
Ouço
Cautelosa
Alçando vôo no barulho do vento.
Pergunto a tí
Que passeia sobre a vida:
Qual a aventura se ser no mundo
(esse em que tú não vives apenas passeia)?
E porque é infinito aquele que apenas morre?
Fragmentos de vida: 
vou pisando nos cacos que não são meus. 
mas é em mim a ferida.

27 de fevereiro de 2012

passou por mim o céu parou olhou e molhou.
é de simples e toda graça a chuva [ficou]

01:10 am

VOCÊ
        É
        CHÁ
                to

De doer
a poesia
            noturna.

(dê-vaneio-só)

24 de fevereiro de 2012

É tarde.
E porque é tarde
Não és bem vindo
As noites.
Conduzo-me a paz
De todo recomeço.

21 de fevereiro de 2012

Agora que tens minhas noites
Quebradiço é o dia.
Verás a santa face das águas profundas da arte da vida,
Através do espelho que nos uniu.
Nem cortes ou sangue ao que tocamos
Só venturas.
Sob nossos pés crescem raízes
Que vão em direção ao céu.
Germina o dia
Frutifica a noite - essas 
que me tens.

Acumulo saudade
Num curto espaço de tempo.
Sou terra escondida embaixo
das folhas de outono - úmida.

20 de fevereiro de 2012

Até o futuro já passou
A passos miúdos
Disfarçando o por vir
A idéia pronta
Mal cozida.
Quem sabe adiante
Animam-se as partes.
disse adeus aos múltiplos,
varreu os cacos da memória
que eram traços mínimos, mas profundos
degraus abaixo dela.
olhou para cima, e na primavera o poeta lhe ofereceu a mão.
a poesia que me vem da alma
agora brota do que resplandesce, quando nós,
sem tempo ou espaço,
louvamos os arautos das dádivas,
daquilo que somos agora atentos – o amor.

8 de fevereiro de 2012

Elemental

A rua de barro passa por detrás da vitrine em que encontro. Caminham por ela os sábios que assopram em minha face o hálito da vida.  De um outro ponto meu corpo todo é uma máscara, e meu riso torpe é pelos que marcham. Estilhacei a vidraça e fui banhada de sangue.  Pelo passado e pelo futuro não mais estremece meu presente, tampouco o espelho ou um enigma de valor e sofrimento.

18 de janeiro de 2012

A palavra não (mal)dita

Se algum céu é capaz de abrigar o ninho da verdade, este azul só poderá voar junto ao verbo que ressoa a três. Algum elemento trará o não dito – em nome do amor que não suporta a nudez das palavras, por isso veste-se de flores e orvalho da manhã, buscando algo próximo ao infinito das noites. São muitos os olhares fragmentando aquilo que só poderia ser visto a dois. Ao contrário do que ressoa do alto, o que é doce abriu as portas.

6 de janeiro de 2012

Cala

Nudez da palavra.
Perdida
Esquecida
[não] [mal]
dita.
Tua boca cala o verbo
Faz
Sentido(s)

4 de janeiro de 2012

Graça

Ouço o ressoar do que vem chegando. É música. Já posso sorrir em canto, criança. Sou alegre pela escolha. Junto tem a magia, santa força que me lança para além de mim. O sangue pulsa nessa direção. Nada mais acrescento a esse caminho. Realizam-se gerações em graça. 

Deus

Sem lamentos. O que bate a porta é suave. Mosaico de rostos Maria, José, Franciscos e Antonios. Crú, mas que ilumina. Festeja toda carga flor que sei que caminho é todo meu.  Deixa navio atracar, pessoas de rostos tristes por fora falarem com meu eu milagre, por que também é delas a flor. Preciso das especiarias do que trazem, Ariade me envia, preciso estender as mãos. Do contrário labirinto é frio, não me acorda e é lamento. É nesse povo, com ou sem cachimbo que me faço espírito olhos cerrados. Grande Cristo ali bem à frente que me guia. Desenho em punho teu rosto, memória Deus em mim, neste templo. Terra. Gritei um poema que nem era meu, reviso e se levantam tantos santos em coro de igreja antiga, cantiga negra de noite, de força, nua, de orvalho das lágrimas da música que é esse Deus que nem sei todo mas que parte senti tanto hoje. Estendi os braços. Rodopio com o invisível e sorrio largo no meio da rua. É pra ti que me lê esse verso. Toda letra que compõe teu nome luz. Nem consoante ou vogal. Tinha primavera ali esperando. É um canto puro.

Transformas tua palavra doce em cólera quando não entendes que minha loucura tem volta. Há uma névoa de temor, e ela conjuga o quarto verbo. Lapidar o raro, assim como a si mesmo é a arte de uma alquimia antiga. Abri as janelas para o leste mas minhas asas ainda dormiam. A beira de um lago noturno, a morte que buscava me sorriu, e foram gotas do orvalho da vida que vi no momento seguinte. Bebi o dia, a noite e a palavra. E meu sangue percorreu os rios de quatro estações, onde te encontrei. Abri os olhos e não pude ver, pois tudo era silêncio, agora. Sei que tudo será desfeito um dia, quando no peito não mais doerem as feridas e os espinhos da alma. É preciso ser um pássaro de luz, e nadar nos ventos que vão acima do amargo que bate a porta.

3 de janeiro de 2012

Lancei um poema ao vento em direção a uma pessoa inteira.
Buscava aquela que não silencia o grito.
Não aquela que vem em metade, por que se deixou em outras estações.
Alguém disse que o poeta é um fingidor,
Mas minha palavra não é muda, tampouco meu grito.
E pelo amor ao que é inteiro em mim
Não minto riquezas
E não transformo tropeços alheios
Em minha caminhada.

2 de janeiro de 2012

em parte é a memória da pele. mas em muitos é seu manto. há de se encobrir também com palavras, das quais devaneiam a mente. também são breves alguns caminhos. haverá o despudor, mas também o medo de perder a alma.