14 de novembro de 2011

último ato

poderia ter sido o amor. mas não foi. a alma preferia o palco. o aplauso. a descontinuidade. só poderiam haver coadjuvantes. ainda aqueles que se calam e decoram a fala do autor. poderiam tantas coisas  e por vezes o autor abraçou outra alma com tamanha intensidade que por alguns segundos viram-se eternos. tinham roteiro próprio. luz. nem palavras as vezes, o sonho já lhes bastavam. num lapso de tempo, o autor voltou ao novo, precisava disso. largou o abraço, certo de que poderia voltar, fazer caminho reverso, após trilhar outros risos e sentidos. poderia ter sido amor. mas não foi. não foi, porque uma das almas precisava de cuidado. e ele não se sabia cuidador. apenas palco. aplausos. por alguns segundos também sofreu a perda. mas o palco sempre estaria lá. sempre haveria aplausos de todos os lados. acostumando a cegueira da descontinuidade. daquilo que poderia. aquilo que poderia se não fosse algo diferente do que poetizava. foi uma boa estação. recolher as folhas secas, regar a terra. deixar que o tempo despedace aquela tentativa, aquela planta que não vingou. porque era tímida, precisava de cuidado. e não de palco. poderia ter sido amor, caso este não fizesse parte de uma cena encenada tantas vezes antes. poderia ter sido amor, mas o autor, não sabe cuidar, daquilo que é semente, e que não cresce no palco.

Nenhum comentário: