23 de novembro de 2011

Acerca de Eros e Pathos

Alguma tristeza ou certeza da incompletude ou da incapacidade de ser além, gera a necessidade do outro que me enlaça numa teia de ilusões no espaço/tempo. Obviamente, somos todos permissivos nesse aspecto e diria até, esperançosos quanto a algo que poderia acontecer para além destas previsibilidades comportamentais humanas. Digo comportamento, porque assim entendo todas as limitações da alma manifestadas em ações inconscientes. O amor por exemplo. Grande canção dos poetas. Em alguns momentos penso que se presta apenas a isso. Até esse trecho da vida, ainda não pude observar tamanha expressão tal qual descrita nos versos, tampouco nos que os proferem. Quão distante me parecem o desejo e a ação.Quanta grandiosidade nas palavras, quanta pequenez nas ações. Não creio descrever em pessimismo, ao contrário, aprecio aquilo que não vejo e na mística da vida, logo, apreciaria a visão de algo próximo e realizável a esse respeito. Algum aspecto das coisas do indizível em mim, espelha esse outro que me atrai. Do contrário, nada seria. Mesmo em esforço, não alcanço a visão de continuidade ou diálogo longo entre alguns contrários. Algumas pessoas alçam vôos em tempos diferentes – verdade. Completude. A isso devemos todo romantismo na atualidade. Poderia ser diferente, caso tivesse fé contrária. É que me parece primário juntar letrinhas, sussurros, repetições, esperança e inconsciência e dar a isso o nome de amor. Na minha loucura, amor não se finda, é único, raro. Raro. Sentimento que não se encontra em demasia. Se já teve a certeza de experimentá-lo para além da soma dos seus dedos, conto-de-fadas, lenda, romance. Pathos. Confesso que seria surpresa, alguém que chegasse a mim, proferindo romances, no exato momento em que o ego estivesse sob os holofotes. De fato, poucas coisas atraem meu olhar ultimamente. Ando vendo filme antigo. Amor, me parece vazio existencial coletivo pedindo suicídio. Ando desinteressada pelas obviedades. De resto, ainda acho alguma graça.  Até a próxima página.
“ainda assim, quero aquilo que não vejo”.

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