29 de novembro de 2011

Solto

o que importa real(mente)
vai além de uma perspectiva mera(mente) humana
melhor vazio e dúvida. assim é possível semear....

a quem a chuva pede

Nunca se encontraram de fato. Mês que vem, é tempo de nascimento. Jamais pensaram que seriam frutos. Coração vazio, meio cansado, até de ser vermelho. Ela pegou a lanterna nas mãos e mostrou-lhe algum caminho. Ele cantou-a em versos. Havia qualquer coisa de suave e tempestade ao toque. Distraiam-se um ao outro vez em quando. Ele perdeu os versos. Ela guardou a luz. Apagaram-se os dois. Ouve silêncio, e alguma angústia na escuridão de ambos. Era uma vez duas pessoas que nunca se encontraram de fato. Lembrei de você nesse início, meio e fim, do desencontro.

23 de novembro de 2011

Princípios

[ Não creio ]
No medo
Na culpa
Na expectativa.

Acerca de Eros e Pathos

Alguma tristeza ou certeza da incompletude ou da incapacidade de ser além, gera a necessidade do outro que me enlaça numa teia de ilusões no espaço/tempo. Obviamente, somos todos permissivos nesse aspecto e diria até, esperançosos quanto a algo que poderia acontecer para além destas previsibilidades comportamentais humanas. Digo comportamento, porque assim entendo todas as limitações da alma manifestadas em ações inconscientes. O amor por exemplo. Grande canção dos poetas. Em alguns momentos penso que se presta apenas a isso. Até esse trecho da vida, ainda não pude observar tamanha expressão tal qual descrita nos versos, tampouco nos que os proferem. Quão distante me parecem o desejo e a ação.Quanta grandiosidade nas palavras, quanta pequenez nas ações. Não creio descrever em pessimismo, ao contrário, aprecio aquilo que não vejo e na mística da vida, logo, apreciaria a visão de algo próximo e realizável a esse respeito. Algum aspecto das coisas do indizível em mim, espelha esse outro que me atrai. Do contrário, nada seria. Mesmo em esforço, não alcanço a visão de continuidade ou diálogo longo entre alguns contrários. Algumas pessoas alçam vôos em tempos diferentes – verdade. Completude. A isso devemos todo romantismo na atualidade. Poderia ser diferente, caso tivesse fé contrária. É que me parece primário juntar letrinhas, sussurros, repetições, esperança e inconsciência e dar a isso o nome de amor. Na minha loucura, amor não se finda, é único, raro. Raro. Sentimento que não se encontra em demasia. Se já teve a certeza de experimentá-lo para além da soma dos seus dedos, conto-de-fadas, lenda, romance. Pathos. Confesso que seria surpresa, alguém que chegasse a mim, proferindo romances, no exato momento em que o ego estivesse sob os holofotes. De fato, poucas coisas atraem meu olhar ultimamente. Ando vendo filme antigo. Amor, me parece vazio existencial coletivo pedindo suicídio. Ando desinteressada pelas obviedades. De resto, ainda acho alguma graça.  Até a próxima página.
“ainda assim, quero aquilo que não vejo”.

18 de novembro de 2011

jogaram a sujeira embaixo do tapete
as visitas não são minuciosas
há um sorriso estampado no rosto
(de todos)

17 de novembro de 2011

"quero descobrir novos lugares 
- dentro e fora de mim -  
mesmo que isso me custe algumas despedidas"

14 de novembro de 2011

último ato

poderia ter sido o amor. mas não foi. a alma preferia o palco. o aplauso. a descontinuidade. só poderiam haver coadjuvantes. ainda aqueles que se calam e decoram a fala do autor. poderiam tantas coisas  e por vezes o autor abraçou outra alma com tamanha intensidade que por alguns segundos viram-se eternos. tinham roteiro próprio. luz. nem palavras as vezes, o sonho já lhes bastavam. num lapso de tempo, o autor voltou ao novo, precisava disso. largou o abraço, certo de que poderia voltar, fazer caminho reverso, após trilhar outros risos e sentidos. poderia ter sido amor. mas não foi. não foi, porque uma das almas precisava de cuidado. e ele não se sabia cuidador. apenas palco. aplausos. por alguns segundos também sofreu a perda. mas o palco sempre estaria lá. sempre haveria aplausos de todos os lados. acostumando a cegueira da descontinuidade. daquilo que poderia. aquilo que poderia se não fosse algo diferente do que poetizava. foi uma boa estação. recolher as folhas secas, regar a terra. deixar que o tempo despedace aquela tentativa, aquela planta que não vingou. porque era tímida, precisava de cuidado. e não de palco. poderia ter sido amor, caso este não fizesse parte de uma cena encenada tantas vezes antes. poderia ter sido amor, mas o autor, não sabe cuidar, daquilo que é semente, e que não cresce no palco.

13 de novembro de 2011

Sedução

melhor uma loucura aparente do que é ver absurdos ocultos e calar-se.
melhor a chama da loucura do que o vazio (imenso)
da sedução (da qual nem se sabe)
como alimento eterno.
Acontece isso quando não se sabe por inteiro.
É o comum que desprezo.
Preciso das surpresas de quem se sabe, apenas.

10 de novembro de 2011

bastariam algumas coisas apenas
para que te levasse comigo.
para o meu amor
bastam apenas alguns gestos – nem palavras
alguns pássaros migram a noite
percorrem o infinito.
algumas palavras voam longe
me ferem
e me levam (igual aquilo que não podes ver)
distante de ti

4 de novembro de 2011

Sob o manto da noite

Sob o manto da noite
Escura e fria
Alguma poesia
Irradia em mim
Ainda em desamor
O que é áspero por dentro.
Sob o manto da noite
Caminhas em mim
Desfaz-se o tempo
E sem movimento
Me precedes o amor.
E mais adiante
Ainda há tempo
De alvoradas
Em direções menores
Do que se eleva
Em nós, ali
Sob o manto das noites.

3 de novembro de 2011

Atualidade sobre o tema tristeza

É, ando triste, de fato...contemplando o que não vejo. Andei sozinha pelo deserto durante muito tempo e desacostumei o diálogo. Ainda tudo parece imenso ao meu redor, e distante. No auge da minha dor e solidão, me deparei com algumas miragens. Acostumei a achar que tudo são espinhos e por isso tenho em mim um punhal. Poucos segundos apenas me permito desarmar, é quando a chuva cai, e lava a grossa camada de poeira que fixa no meu corpo e me petrifica. Alguns poemas ainda florescem, embora falem sempre, dessa dor de andar sozinha pelo árido deserto da incompreensão. 
                                     “como dizer sobre o que não faz parte da minha tristeza?”