27 de setembro de 2011

É uma crucificação. Estendida sobre a cruz, braços abertos, pensamentos que sangram. Corpo em chagas. A cruz de hoje ainda tem quatro pontos. Liga, pela forma, todos os opostos. O coração está no centro também sangrando, mas ainda batendo. Presa a terra estão às ilusões do mundo, bonitas até, e passageiras. Cada pedaço do corpo sente a dor desse mundo. A dor, em seu extremo mostra uma luz, mas pelos olhos escorrem também sangue que ofuscam a visão. Momento solitário, porque na cruz, apenas se estende uma vida. São longas as noites da crucificação. Enquanto o corpo gela pelo vento que sopra, ouve-se o silêncio estendido pelo tempo. Nem gritos, nem gemidos. O desfalecer após um tempo, é lento e cuidadoso, reflexivo e dormente. Algumas crônicas aceitam a razão de que após o último raio de noite, é possível o despertar. 

Um comentário:

Caos disse...

Belo e triste...