26 de setembro de 2011

É o que vejo do lado de fora: barulho, cinzas, gritos, nuvens, sofrimento, dor, sangue, mágoa, lógica, ciência. Há muito tempo saímos do paraíso – voluntariamente. Houve um convite para saltar em direção aos extremos, viver os opostos, aceitar a espada que nos corta ao meio. Deveras humana é a dimensão que nos liga a existência enraizada no instinto. Acaso tem a formiga a possibilidade de compreender, por mínima que seja a volatividade do fogo do espírito?. E não teria o homem tornado-se formiga, ao trilhar o caminho cindido? Quais as certezas podemos acessar, verdadeiramente, ao fazer as mesmas perguntas moldadas pela mesma forma da natureza animal que nos encontramos enquanto apenas terra?. Alguns animais reproduzem-se sozinhos, outros ouvem sons que não posso ouvir, tem luz noturna, a cor violeta, sentem o tempo, a nuvem, a próxima estação. E mesmo não sabendo-se assim, como eles, me coloco num degrau acima, por julgar que a milha colônia, é todo o universo. Quando buscamos água em outras terras, para saber se por ali já houve/haverá vida, estamos projetando nossa limitação humana, estamos procurando outros ‘animais’, que precisam e são constituídos da mesma matéria que meu corpo. Vida, é o espírito que anima o corpo. O que é eterno não precisa ser alimentado, pois em essência é unidade. As necessidades existem pelo distanciamento da fonte. É o que vejo, entre os véus que me cercam também, aqui do lado de fora.

Nenhum comentário: