17 de agosto de 2011

É para o que não vejo que lanço meu olhar


[ São muitos os que vivem em mim. Sou a manifestação de toda humanidade. Também de seus perigos. Tudo manifesto. Ora constela a serenidade da certeza do eu, ora sou o palco de uma energia sem controle que vem das profundezas sem luz. É um grito, de uma imagem primordial da criação, caótica aos olhos da consciência. É assim algumas vezes, quando vou longe do meu centro, quando tomo outra forma, quando indiferenciada. É quando meu desejo despreza o mundo, se separa, ri, certo de que tudo, não passa de um sonho, ou de mais uma travessura de Eros ]

[ No caminho entre a morte e a vida, há um vale, experimento o receio antes da descida. Trago alguém comigo. Vamos ao lugar de grandes escadarias, pedra, noite, brumas. É incerto o alimento que nos nutre ali. Pelo caminho desconhecido do retorno, peço passagem. Me tiram as vestes, me paralisam, me roubam a palavra. São desdobramentos do meu medo, que me cercam por três lados. Fantasiados. No caminho entre a morte e a vida, ao lado do vale, ouço um sussurro: ‘nunca o medo havia passado por aqui antes’. Dentro de mim mora a flor da vida, que olha apenas em uma única direção ]

Um comentário:

maman disse...

poesia em prosa. Lindo. =)