24 de agosto de 2011

Acídia


Hoje, afirmo, que nem os bens do espírito seriam alimento à minha dor. Vivenciar uma realidade moral ligada ao chamado da alma, é uma fantasia de entretenimento. Ao lado não há pares. Cada qual busca adições ao ego, nada mais, de onde quer que elas venham, desde que venham em abundância. Não há deveres, não há expectativas, não há promessas, e isso é a verdade, de outra forma, estamos criando roteiros onde não podemos atuar. O caminho é individual, reafirmo, embora existam situações tão sedutoras que nos fazer crer que poderia ser diferente, mas não é. Essas palavras não são um lamento, são constatações do que se trata a realidade das meias-relações.  Alguém quer outro alguém, e todo o resto. Com algumas concessões que não ferem o rei. Neste momento do tempo, entendi que tudo é vento, e quanto mais sabedoria, mais silêncio. Primitivamente São Gregório propõe como um dos sete pecados capitais a acídia, ou tristeza, que é um sentimento ligado somente as questões interiores daqueles que vivem a ermo, e precede os outros vícios ou pecados. Somente uma alma triste precisa de adições, se move pelo impulso de prazer, e abre-se a interfaces múltiplas, que lhe trazem cor e afago momentâneo. É a doença do nosso tempo, crônica, e é verdadeiramente, a paixão (pathos) da alma. Sei que falta a poesia, mas ainda há espetáculo. Então, que venha a platéia, jogar flores mortas ao túmulo.

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