8 de julho de 2011

Via una

Percebeu que aquilo que vestia, eram mordaças que lhe foram postas assim que adormeceu, e acordou naquele lugar. Era necessário para a descida. Foram longos anos de desconforto interno. Pertencia a tudo, menos a ela mesma. Aconteceu, em algum momento, que se perdeu na memória. Quando a pele gritou a dor, moveu um músculo e sentiu que era de dentro, o pulsar. Havia tamanha força naquilo que descobrira, que tudo além, desfalecia, gota-a-gota.  Largou as mãos, deu adeus e seguiu para o centro, despedaçando-se do que ainda eram vestes. Chorou saudade, gritou o medo e colheu o frio. Vasto querer, e longo despertar sem volta. Pensara nas longas vestes que deixou para trás, e que não lhe cabiam mais, pois tinham forma semelhante a todos. Também aquela forma de pensar, pertencia a outro tempo, então tratou de silenciar a mente. Agora não tinha espelhos, mas sabia-se, e era tudo.

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