15 de junho de 2011

O outro

O outro fatalmente será alguém que não eu mesma. Digo o outro, mas o correto seria outros, já que existem mais outros do que eu mesma. Sou única, os outros são os outros diferentes de mim, porém únicos em sua individualidade. A mim, cabe unicamente meu eu, posição que me coloca distante de uma postura politicamente correta, assumo. Mas passo longe da hipocrisia, garanto. Por isso apenas eu mesma, e o outro em relação a mim. De um outro ponto de vista também sou um outro em relação a alguém, o que não vem ao caso – não no meu caso. Do ponto de vista essencial o outro exerce força sobre mim, pela conexão que tem aquilo que nos liga, que não tem haver com quaisquer ‘ismos’, mas porque o outro existe para me mostrar quem sou (tenho apenas um espelho fosco). Obviamente prefiro o outro que mostre minha face mais bela, que não me contrarie, e que seja parecido com aquilo que quero acreditar que sou, de fato, pois sou contrária a dor. Em tempos, contrária ao outro desconhecido, tenho amparado muitos outros, com o objetivo único e individual de que esse outro desconhecido, se torne conhecido a mim. Embora, secretamente, ainda tenha desejo de que o outro seja par. Tenho a certeza que o outro não sou eu, embora as vezes também tenha certeza de que posso, eu mesma, ser um outro qualquer, vivendo como eu, o que estremece minha identidade. Outro dia, em conversa com um outro que me habita, decidimos pela mudança, mudar de mim mesma, habitar outros eus, todos juntos.

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