28 de junho de 2011

Distante

não importa onde
importa que me leve junto
pois as vezes me esqueço
em algum lugar
do passado
criado
vivido
sonhado
me deixo as vezes tão longe
que nem me sinto mais
acontece
sempre
nas manhãs que acordo.

20 de junho de 2011

Concreto

                                                      Im-provável.
                                                      Im-perfeito.
                                                      Im-possível.
                                   - Inevitável -
                                                                                             E ainda assim: lindo!
desconfio que da mesmíssima coisa
não se cria poema.

17 de junho de 2011

a conhecer

Não te aborreças de mim,
Das vezes em que recuo a tua porta.
É porque ainda vejo
Aqui fora, um sol maior.
(embora tudo seja céu)

Breve

Entre maças, romãs e rosas,
                               levei comigo o vermelho da chama.
Era manhã de cor e gelo,
                               aqui dentro.

15 de junho de 2011

O outro

O outro fatalmente será alguém que não eu mesma. Digo o outro, mas o correto seria outros, já que existem mais outros do que eu mesma. Sou única, os outros são os outros diferentes de mim, porém únicos em sua individualidade. A mim, cabe unicamente meu eu, posição que me coloca distante de uma postura politicamente correta, assumo. Mas passo longe da hipocrisia, garanto. Por isso apenas eu mesma, e o outro em relação a mim. De um outro ponto de vista também sou um outro em relação a alguém, o que não vem ao caso – não no meu caso. Do ponto de vista essencial o outro exerce força sobre mim, pela conexão que tem aquilo que nos liga, que não tem haver com quaisquer ‘ismos’, mas porque o outro existe para me mostrar quem sou (tenho apenas um espelho fosco). Obviamente prefiro o outro que mostre minha face mais bela, que não me contrarie, e que seja parecido com aquilo que quero acreditar que sou, de fato, pois sou contrária a dor. Em tempos, contrária ao outro desconhecido, tenho amparado muitos outros, com o objetivo único e individual de que esse outro desconhecido, se torne conhecido a mim. Embora, secretamente, ainda tenha desejo de que o outro seja par. Tenho a certeza que o outro não sou eu, embora as vezes também tenha certeza de que posso, eu mesma, ser um outro qualquer, vivendo como eu, o que estremece minha identidade. Outro dia, em conversa com um outro que me habita, decidimos pela mudança, mudar de mim mesma, habitar outros eus, todos juntos.

14 de junho de 2011

Saudade

Se soubesse que morrerias tão cedo,
teria ouvido mais teus poemas tristes.
Minha própria dor, que era tão perto da tua,
me tornou estéril a ti.
Hoje, quando mais longe, mais te sinto vida,
E mais te sinto em saudade.

13 de junho de 2011

Nada

No instante seguinte esvazia-se a vontade.
Dá adeus quando desperto.
É a vivência do nada,
que quase não se pode transformar em versos.

7 de junho de 2011

desperta

Sejamos libertos
Das ilusões que alimentamos e das prisões que nos trancam.
Essencialmente apenas somos – todos.
Acaso algum animal é escravo de si mesmo?
Recorda textos antigos, guardados, empoeirados na gaveta do tempo.
Aprende tua própria linguagem, saindo do caminho fundo.
Não te percebes vida, porque estais a velar no funeral com todos.
Caminhas em outra direção, que nos primeiros passos se faz frio e dor.
Acorda do sono vulgar e sonharás! O sonho é o exercício da alma.
Em tempos de cegueira, poesia é palavra esquecida.