23 de maio de 2011

Gita

Ouvi um chamado antigo, que batia a porta de quem veio antes de mim. Alguém vinha para a comunhão, mas em sonho. A pureza era necessária para a subida do abismo. E então as portas mantiveram-se trancadas. Até agora. Pois antes havia medo, não amor. Na contramão da periferia, o caminhar era lento, dolorido, amargo, feio. Era a vivência do aprisionamento do olhar viciado, pois também antigo, heranças que sangravam. A experiência que não compõe poesia exata, pois é das coisas dos que calam. Não fui livre para tal escolha – como dizem. Mas dei acolhimento, receosa. Sei das juras daquilo que clama, acredito. Ainda me despindo das vestes do que fui, me purifico, estou à porta, estendendo a mão, alma em chagas, em dor. Sou quem abre a porta. Sou o que chama. Em tempo, hei de me mostrar. 


Um comentário:

Fernando disse...

"esse ta foda de comentar"
mas ainda contemplando...