20 de maio de 2011

Ausência

Em segredo, iniciei várias vezes o diálogo, sem resposta. Daqueles sentimentos felizes e tristes que só se pode compartilhar a quem pode ouvir. Me arrasto em monólogos desfeitos, não posso mais com palavras do que sou. É infinita a distância que me separa do comum que me cerca. Pessoas cheias e vazias de si mesmo. Morro, quase todas as vezes que me desfaço naquilo que não sou. Ainda assim, vejo poesias nos dias, embora seja noite. Não compartilho meu abismo noturno, ninguém está lá, embora ao meu redor sinta presença (muda). Já tive tantas despedidas, mas sempre volto ao meu encontro, embora às vezes não me reconheça. Talvez não devesse mais partir, ou não mais voltar. Ando descuidada do que me é alheio – reconheço. Lamentos, murmúrios, ilusões, raso. Sou em outro tempo, de poucos, e ando lentamente, antiga. O longo abraço que me enlaça é triste, pois não me alcança. Quero me sentar com um anjo amigo, todos os dias, e pedir ausência, de tudo que me cansa, mas sei, que essa não é minha vontade primeira. Alguém, que na morte entenda minha poesia, saberá meu eu e estará comigo, como um infinito poema. Mas já é tarde para o encontro, pois a escuridão é imensa.

3 comentários:

Fernando disse...

palavras que cruzam as entrelinhas do que é mais puro... intenso, mas ao mesmo tempo triste...

Tropa Feras do Imaruí disse...

Oi Sandra td bem?
Como posso definir a receita de sua poesia?Vejamos:
Uma colher bem cheia de sabedoria.
Um litro de atitude.
Duas partes de ansiedade.
Duas pitadas, uma de alegria e uma de melancolia para equilibrar!
Completa com maturidade a gosto!
Parabéns, suas palavras me dão inspiração!

Iris!

marlene edir severino disse...

... "O longo abraço que me enlaça é triste, pois não me alcança"...

Mas quem sabe não falta um pouco esforço do teu abraço
para enlaçar?

Beijo, querida!

Marlene