12 de abril de 2011

Ao tempo

Antiquíssima é minha idade.
Do tempo (incerto) onde essa via enraizada ainda soava em sentido profundo.
Onde era levada pelas mãos de um Deus que falava em mim.
Havia um paraíso ao lado. Permitido. E o desconhecimento da sombra da morte.
Agora medito naquilo que é feito carne, e que se chamam rosas.

2 comentários:

Ciça Molina disse...

Rosas.. flores que o vento tirou pra dançar.
O tempo é agora e tudo é permitido.depende de como você vê, e se vc vê!

Ricardo Steil disse...

Duas mulheres evocam este poema quando da sua leitura.
Da primeira, palavras estas que teriam sido ditas por Eva — expurgadas estas da história humana — ao sair do Gan Éden sabendo que sua alma perdida ficará no paraíso. E agora, diante da infrutífera terra, da noite frívola que nasce, da pele que seca, da vida que corre por entre seus dedos tais como os grãos de areia da ampulheta, descobre que só o prazer da carne pode trazê-la momentaneamente o prazer da alma (o rosa simbolismo, o quarto róseo, violáceo de Raduan Nassar — a escrita elíptica de Raduan). Enquanto na segunda, vê-se a poetisa — ou o eu-lírico-poético-personagem — que metamorfose-a-se, descobrir-se em meio à descoberta contínua, sente-se perdida, aflita e clama por meio de musicalidade socorro e respostas para o vazio que lhe corrói o âmago espiritual.
Se fosse fisiológico, seria este poema um suspiro ou lágrima. Triste, soturno, vivo! Impossível não refletir depois da sua leitura.