27 de abril de 2011

Brumas

Houvesse um lugar além desse labirinto de delírios que percorro, estaria ausente quando. E sendo, então, me saberia inteira. Tão mística quanto Deus, que me aproximo hoje. Sem dor. 

26 de abril de 2011

25 de abril de 2011

Samsara

Versos transitórios.
Regresso. Impermanência.
De um certo jeito de amor que ao medo não convém.
Eis-me aqui - sem magia.

17 de abril de 2011

16 de abril de 2011

Indício

Fico com teu cheiro, que percorre meu caminho de dentro.
Acontece no meu corpo e dura cinco dias.
Depois me refazes.
A permanência do estar em mim, sem forma.
Vazio é um estado anterior.

14 de abril de 2011

Da taça onde me deito

Tão humano é meu desejo que acredita que posso te tomar em mim. 
Como vinho. Líquido.
Sendo a fonte conhecida, não te pensaria.

13 de abril de 2011

Noutras vezes

Nada é o que sinto. 
Mesmo quando adentras meu templo em prazeres que gritam minha carne. 
Quero te dizer meu ser, emudecido e sem forma.
Que sonha ainda, para poder existir.

12 de abril de 2011

Ao tempo

Antiquíssima é minha idade.
Do tempo (incerto) onde essa via enraizada ainda soava em sentido profundo.
Onde era levada pelas mãos de um Deus que falava em mim.
Havia um paraíso ao lado. Permitido. E o desconhecimento da sombra da morte.
Agora medito naquilo que é feito carne, e que se chamam rosas.

11 de abril de 2011

Em outro

Deito-me ao lado daquele que em fantasia ainda entendo como sendo 'outro'. Tal anjo é um espelho. Me construo a partir de um reflexo. Não toco. Não sou tocada. Tão somente imagem. Via abissal, querendo aquilo que se chama espírito. Vem de mim. Tem asas (por isso a leveza). Existe por si só. Me sei por ora, demasiada humana, pois ainda sou metade, que adormece no 'outro', que está ao lado, mas tão somente dentro.

10 de abril de 2011

Ausência

são nas noites imensas, quando ouço o silêncio das vozes todas, que me percebo sem mim: ausente. isso me parece tudo. também a dor que isso que me causa. acontece porque me canso da imensidão das noites, quando me percebo sem mim.

9 de abril de 2011

Em noites

Há o desejo que encontro no descaminho. 
Desejo que me habita. Me obriga. Tenta. Consegue. 
Envolve a alma e sorri.

8 de abril de 2011

Onde se movem os astros

Enquanto os dias não chegam,
Ele me sabe nos céus - de opacas sombras.
Que não se demore tão longe.
Os acasos anseiam se cumprir.

7 de abril de 2011

3 de abril de 2011

Via úmida

Passe(e)i por toda noite
Cobrindo a nudez
De alguém cujo corpo não ia longe
Pois era cercado pela dor da queda.
Não fosse ela,
Talvez seria mar aberto.
...
Parada aos pensamentos que tropeçaram na cor do desejo,
Enquanto as palavras compunham o ritmo do corpo
Que era de uma poesia quase inteira – não fosse a dor
Que dizia, para além da queda
E seguia, para além da noite.