12 de dezembro de 2010

Ao leste o sol, ao sul a lua

Encontraram-se às avessas,
No meio do caminho torto que ambos voavam.
Ensinou a ela a desaprender-se.
Em dois anos, muitos anos se passaram.
 A inércia deu cabo a si mesma,
E quando estando no mesmo chão, não se viram.
O delírio atava-os,
Viam apenas alguma coisa que a pele sentia.
Ouviam palavras um do outro em idioma próprio.
A razão nunca soube eles,
O estranhamento já era conhecido,
A distância era próxima e dormia junto, invisível.
Não viam as coisas por meios razoáveis,
E desafiavam um ao outro,
A serem olhados pelo lado de dentro,
De olhos fechados.

Um comentário:

Ricardo Steil disse...

Uau! Este ficou difícil de comentar. Vamos ser francos: há uma Clarice Lispector que ama poesia que anda brotando dentro de você não? Assuma anda.