4 de outubro de 2010

meu outro eu que é demônio

tento a fuga, dissimulo
finjo que não sei
mascaro, não encaro
mas eles estão a espreita
me vigiam, me extraviam
sabem de mim

não batem a porta, já estão dentro
vem ter comigo na noite da minha inconsciência
atiram flechas em meu peito
me deixam marcas profundas

só assim os vejo
só assim me vejo

meu outro eu não é o Deus que tanto sei
meu outro eu tem a face daquilo que não quero revelar
quanto mais divindade tenho em meu dia
mais demoníaca é minha noite
são eternas chamas que queimam, abrasando-me

dança incandescente entre sombra e luz
aliança harmoniosa e transcendente
entre meu eu que sei
e meu eu que hei

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