28 de outubro de 2010

Pois então - reticências...

“Nenhum homem é uma ilha”, já disse o poeta.
É preciso pertencer, estar junto, comungar.
Para ser, é necessário estar com outros.

Agora, veja o caso do ponto, digo, o ponto final.
O ponto final, ali, encerrado em si mesmo, é a pura solidão,
é a descontinuidade, o corte.
Diria até que o ponto final é a própria morte.
Taxativo, soberano, imperativo, quando surge fecha a porta, encerra o riso.

Pobre ponto, nada sabe do verso do poeta.

Mas, mesmo em sua condição não-humana,
o ponto final também tem seus pares.
Quando um ponto encontra outro ponto e mais outro,
surge à possibilidade da continuidade, a imaginação, a exclamação, a vida, o infinito.

Bendito seja o encontro dos pontos, pois então,
As reticências...
Das quais nas entrelinhas, tão bem supõe o poeta.

2 comentários:

Ricardo Steil disse...

Tuas palavras
Simples palavras
Como agora deste poema
Trazem uma paz tão grande a alma
Que não há palavras
Nem versos para expressar
E mesmos os versos se calam
Diante da grandeza da tua pena
Diante da lágrima que vira texto
Em cada verso teu

Autor: Ricardo Steil

Teacher's Pet disse...

E nas entrelinhas, vejo as reticências rolando e prestes a me atingir. Pausa para uma vírgula-hiato na conversa e as faces do interlocutor se ruborizam, com um sorriso bem pontuado...
Adoro seus poemas. e o ricardo tá certo - espero o Livro. Bjos