20 de setembro de 2010

sangue índio

filha das terras de lá
dos homens primitivos de outrora
homens de espírito livre
que a floresta ao se abrir e secar
fez perecer, se perder
dilacero meu corpo e dele vejo sair
sangue desse povo
sangue índio
sangue que brota do meu coração valente
percorre minhas veias e me traz a poesia do mato
tenho em mim sangue de canção
mesmo estranha em minha própria terra
meu coração ainda canta, dança e faz oferendas

a fogueira que me aquece hoje vem do brio desse sangue
o ardor que sinto vem da sangria constante
errante, me mantenho distante desse mundo prudente

sou guerreira de exaurido coração
do humano quero apenas o que não me cerca
e quando for terra novamente
não chorarei a morte, pois não sei morrer
meu sangue é vivo, carmim
e em mim, é laço eterno, secular

Nenhum comentário: