2 de setembro de 2010

do meu disfarce

isso de ser assim
na medida e contida
é meu disfarce no mundo
no fundo
sou brejeira
descalça, sem alça
'bicho do mato’
ave de rapina
serpente rasteira
sorrateira
minhas raízes estão em outro lugar
eu sou de outro lugar
sou da terra
do mato
da natureza viva
primitiva
canto com os pássaros
levo flores aos que aqui estão
faço banquetes esfuziantes
brindo aos deuses
me divirto sendo travessa
e estou firme na certeza
que na próxima estação
vou despir-me de meu disfarce
quero deixar-me assim
como vim
sem vestes que prendem meu corpo e minh’alma
conseguirás me ver?